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quarta-feira, 14 de maio de 2008

A Roda dos Mundos



Essa figura ilustra duas formas de interpretar a metafísica do universo de Akyremma.

Na forma de duas cruzes unidas pela base, semelhente a árvore da Cabala, temos a visão religiosa que separa Érebo e Empíreo em Alto e Baixo, como num Paraíso e Inferno. No centro o mundo físico e na extremidade de cada cruz temos o lar de dos deuses.

Na forma de roda, temos a visão mística, que prefere não ver a separação em pólos opostos como algo fixo, e sim como uma sinuosa curva, semelhante ao símbolo do Taoísmo. Dando a idéia de que o Bem hoje pode ser o Mal amanhã e vice-versa. Assim temos no centro da roda o Mundo Físico, cercado pelos planos Mentais, e depois Espirituais. Note nas diferenças de tonalidades das cores, que na visão dos magos, quanto mais próximo do mundo físico mais forte são as diferençãs entre os pólos contrários. E quanto mais distante do mundo físico mais fracas ficam essas diferenças.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Parábola

Uma metáfora sobre o panteão de Akyremma...


Era uma vez num mundo de fantasia chamado Terra...

Havia no interior de uma pequena cidade um tranqüilo bairro residencial onde morava uma atípica família. O membro mais velho era um senhor que passava seus dias deitado numa cama ligado a aparelhos que o mantinham vivo, quando não estava sonhando dormindo, sonhava acordado olhando pela janela do terceiro andar, os seus netos brincarem com seus diversos animais de estimação.

Na casa havia um casal, a mãe uma mulher muito querida e bondosa era uma trabalhadora dona de casa, mãe dedicada e muito caprichosa ao cuidar do lar, seu marido e também seu irmão era um pai agressivo, rude e um tanto relaxado, ele trabalhava na construção civil, ou melhor, trabalhava com demolições. Juntos o casal teve oito filhos gêmeos, quatro meninos e quatro meninas.

Certa tarde o avô, e pai do casal, se irritou com a forma que algumas crianças tratavam os bichinhos, um treinava os cães para rinhas, outro vendia os filhotes, uma delas colocava rojões nos ânus dos gatos e outra apenas imitava os que os irmãos faziam, as demais crianças tentavam impedir isso tudo e a briga então começava.

O velho chamou seus filhos para uma conversa no quarto. Lá o ele ordenou que fosse construído uma espécie de canil para que as crianças não tivessem mais contato com os animais, e para os animais que não poderia ficar no canil, por serem livres, como os pássaros e esquilos, foi deixado todo o quintal para eles e as crianças não poderiam mais brincar lá.

O tempo passou e como toda criança trancada, os oito filhos logo ficaram entediados, e entediados começaram a brigar entre si e com isso a, lentamente, destruir a casa. A mãe tentava em vão separar as brigas, o pai às vezes as incentivava e se divertia com elas. Da porta dos fundos as oito crianças brigavam para ver quem conseguia chamar mais atenção dos animais presos.

Certo dia a mais sapeca das crianças soprou uma maliciosa idéia no ouvido do mais esquentado dos meninos. O garoto então subiu até o terceiro andar, e enquanto o vô dormia, dopou o velho com excesso de remédios para que ele sempre dosmisse. A mais justa das meninas ao perceber isso foi correndo contar para os irmãos que mais gostava. O mais sábio recomendou que a mãe fosse alertada urgentemente, o mais bondoso chorou ao saber da notícia, e a mais forte (e também mais parecida com a mãe) decidiu ela mesma contar.

O pai estava bebendo na frente da tv, o garoto rebelde levou muitas cervejas para ele, e assim o pai passou o dia bebendo. A mais invejosa tagarelava o tempo todo que era melhor do que o menino e que faria melhor do que ele. O mais ganancioso dos meninos apoio seu irmão pois entendera o plano todo. A mais sapeca apenas ria de tudo.

Quando as crianças foram até a mãe para revelar o ato malvado do irmão, este já estava preparado e acabou trancando todos na dispensa. Mãe e quatro crianças nada puderam fazer.

Livre, o menino rebelde caminhou pelo quintal, chutou esquilos, pisou em pássaros e libertou os cães e gatos dizendo: são todos meus! Mas o ganacioso respondeu que também ajudara, a invejosa também e a sapequinha disse que queria apenas um gatinho. O líder deu um cão negro para o irmão que o apoiou, um gato para a sapeca que deu toda a idéia, e nada deu para a invejosa pois essa apenas reclamava.

Logo os cães e gatos foram treinados para caçarem esquilos e pássaros. Se acostumaram com os quatro donos, principalmente com o chefe da revolta. Os animais acabaram esquecendo as demais crianças, mesmo quando ouviam de longe seus chamados e pedidos de ajuda.

Um dia, um pequeno e manco cão, curioso com as vozes que o chamavam, resolveu segui-lás. Chegou na janela trancada da dispensa e lá conheceu as quatro crianças que falavam em nome da mãe e pediam ajuda. Mas o cãozinho para ajudá-los teria que primeiro fazer com que outros animais o ajudassem, os pássaros e esquilos, foram os primeiros a ouví-lo e alguns prometeram ajudar.

Noutro dia o vô acordou com o uivo de cão. Olhou pela janela e viu a bagunça, como não podia sair da cama, e nem o pai e nem a mãe o ouviam, ele chamou um pássaro. E pediu para que o pássaro ajudasse a por casa em ordem. Alegremente o pássaro respondeu ao ancião: já ensinamos alguns cães a voarem!

E até os dias de hoje o cãozinho sonha e ter como donos os quatro que estão presos, e livrar-se de uma vez por todas dos quatro donos que estão soltos. Enquanto que os pássaros dizem que era melhor nem ter donos.

A criação de um deus...

Esse conto é parte do "diário de um mago", chamado Dionísio Alvarez ...

Vejam o que os magos mais rebeldes pensam dos deuses, clérigos e fiéis...


"A criação de um deus...
por Dionísio Alvarez...
Lhama, Paykus, 35 / 08 / 1518

Primeiro invente um amigo imaginário. Alguém com quem você possa conversar, desabafar e imagine que ele sempre irá compreendê-lo e perdoá-lo das coisas horríveis que você já tenha feito. Isso que é amigo. Ele lhe dará conselhos e estará sempre do seu lado nos momentos difíceis.

Alguns não irão acreditar nele. Até que alguns eventos, por pura coincidência, farão com que eles passem a desconfiar e acreditar. Então seu amigo imaginário será amigo de muitos, mesmo dos que não conseguem conversar com ele. Você será o intermediário entre o amigo e os que não podem sentí-lo como você sente.

Isso lhe tomará tempo. Você vai deixar de trabalhar para atender a demanda dos pedidos de ajuda e conselhos do povo. Logo, então, você cobrará por esses serviços. Uma casa será construída apenas para essa finalidade. Um dia a casa ficará pequena e um templo será erguido em nome de seu amigo.

Os que não acreditam, um dia sofrerão com doenças, guerras, acidentes e você acreditará que seu amigo foi o responsável por isso. Os inimigos serão punidos. Desastres naturais expressarão a força da ira de seu amigo imaginário. Punindo os que não agradeceram por suas dádivas. Então você passará a temer seu amigo, respeitá-lo e serví-lo. Seu amigo se torna seu chefe. E você o chefe de um povo que depende de você para guiá-los na vontade de seu amigo.

Para ajudá-lo você distribuirá funções para outros. O templo vira uma instituição com centenas de funcionários. Toda a informação passa a ser burocratizada. As regras e dogmas são publicados e todos encontrarão as respostas nas palavras escritas pelos homens que idealizaram o amigo imaginário, e nas palavras proferidas pelos funcionários que se espalharão pelo mundo levando a palavra e a ira do Amigo.


Os líderes enriquecerão, e irão manipular o mundo para que sua instituição nunca morra, sempre cresça, enfrentando outras instituições de outros amigos imaginários que surgiram no mundo.

E assim a humanidade se coloca como escrava da vontade de poucos apenas para encontrar o conforto das respostas que ninguém sabe verdadeiramente responder."