Uma metáfora sobre o panteão de Akyremma...Era uma vez num mundo de fantasia chamado Terra...
Havia no interior de uma pequena cidade um tranqüilo bairro residencial onde morava uma atípica família. O membro mais velho era um senhor que passava seus dias deitado numa cama ligado a aparelhos que o mantinham vivo, quando não estava sonhando dormindo, sonhava acordado olhando pela janela do terceiro andar, os seus netos brincarem com seus diversos animais de estimação.
Na casa havia um casal, a mãe uma mulher muito querida e bondosa era uma trabalhadora dona de casa, mãe dedicada e muito caprichosa ao cuidar do lar, seu marido e também seu irmão era um pai agressivo, rude e um tanto relaxado, ele trabalhava na construção civil, ou melhor, trabalhava com demolições. Juntos o casal teve oito filhos gêmeos, quatro meninos e quatro meninas.
Certa tarde o avô, e pai do casal, se irritou com a forma que algumas crianças tratavam os bichinhos, um treinava os cães para rinhas, outro vendia os filhotes, uma delas colocava rojões nos ânus dos gatos e outra apenas imitava os que os irmãos faziam, as demais crianças tentavam impedir isso tudo e a briga então começava.
O velho chamou seus filhos para uma conversa no quarto. Lá o ele ordenou que fosse construído uma espécie de canil para que as crianças não tivessem mais contato com os animais, e para os animais que não poderia ficar no canil, por serem livres, como os pássaros e esquilos, foi deixado todo o quintal para eles e as crianças não poderiam mais brincar lá.
O tempo passou e como toda criança trancada, os oito filhos logo ficaram entediados, e entediados começaram a brigar entre si e com isso a, lentamente, destruir a casa. A mãe tentava em vão separar as brigas, o pai às vezes as incentivava e se divertia com elas. Da porta dos fundos as oito crianças brigavam para ver quem conseguia chamar mais atenção dos animais presos.
Certo dia a mais sapeca das crianças soprou uma maliciosa idéia no ouvido do mais esquentado dos meninos. O garoto então subiu até o terceiro andar, e enquanto o vô dormia, dopou o velho com excesso de remédios para que ele sempre dosmisse. A mais justa das meninas ao perceber isso foi correndo contar para os irmãos que mais gostava. O mais sábio recomendou que a mãe fosse alertada urgentemente, o mais bondoso chorou ao saber da notícia, e a mais forte (e também mais parecida com a mãe) decidiu ela mesma contar.
O pai estava bebendo na frente da tv, o garoto rebelde levou muitas cervejas para ele, e assim o pai passou o dia bebendo. A mais invejosa tagarelava o tempo todo que era melhor do que o menino e que faria melhor do que ele. O mais ganancioso dos meninos apoio seu irmão pois entendera o plano todo. A mais sapeca apenas ria de tudo.
Quando as crianças foram até a mãe para revelar o ato malvado do irmão, este já estava preparado e acabou trancando todos na dispensa. Mãe e quatro crianças nada puderam fazer.
Livre, o menino rebelde caminhou pelo quintal, chutou esquilos, pisou em pássaros e libertou os cães e gatos dizendo: são todos meus! Mas o ganacioso respondeu que também ajudara, a invejosa também e a sapequinha disse que queria apenas um gatinho. O líder deu um cão negro para o irmão que o apoiou, um gato para a sapeca que deu toda a idéia, e nada deu para a invejosa pois essa apenas reclamava.
Logo os cães e gatos foram treinados para caçarem esquilos e pássaros. Se acostumaram com os quatro donos, principalmente com o chefe da revolta. Os animais acabaram esquecendo as demais crianças, mesmo quando ouviam de longe seus chamados e pedidos de ajuda.
Um dia, um pequeno e manco cão, curioso com as vozes que o chamavam, resolveu segui-lás. Chegou na janela trancada da dispensa e lá conheceu as quatro crianças que falavam em nome da mãe e pediam ajuda. Mas o cãozinho para ajudá-los teria que primeiro fazer com que outros animais o ajudassem, os pássaros e esquilos, foram os primeiros a ouví-lo e alguns prometeram ajudar.
Noutro dia o vô acordou com o uivo de cão. Olhou pela janela e viu a bagunça, como não podia sair da cama, e nem o pai e nem a mãe o ouviam, ele chamou um pássaro. E pediu para que o pássaro ajudasse a por casa em ordem. Alegremente o pássaro respondeu ao ancião: já ensinamos alguns cães a voarem!
E até os dias de hoje o cãozinho sonha e ter como donos os quatro que estão presos, e livrar-se de uma vez por todas dos quatro donos que estão soltos. Enquanto que os pássaros dizem que era melhor nem ter donos.